Conteúdo com a palavra-chave ‘exposição fotográfica’

26 de julho de 2012 10:00até30 de setembro de 2012 17:00

Terças a Domingos, de 26 de Julho a 30 de Setembro de 2012, das 10h às 17h

Local: Museu Afro Brasil

Exposição de fotografias do ativista francês Yann Arthus – Bertrand

O francês começou sua carreira como fotógrafo ambiental há 20 anos, quando se interessou pela Eco 92, conferência que antecedeu a Rio +20. Com interesse em causas ambientais, começou a tirar fotos aéreas em helicópteros e balões de paisagens danificadas pelo homem como maneira de protesto, além de imagens de belezas naturais do planeta.

Terças a Domingos, até 15 de Julho de 2012, das 10h às 17h

Local: Museu Afro Brasil

50 fotografias de 5 diferentes artistas: Kauê Lopes, Manuel Correia, Rodrigo Sombra, Uyrá Lopes e Emanoel Araújo.

Ventos do Benin

O vento harmattan suspende fragmentos do deserto do Saara no céu cinza granulado do Benin. Uma luz prenhe de areia lava as hortas no entorno do aeroporto de Cotonou. Final de uma tarde de janeiro. Os lotes de leguminosas, afofados em espaço público, são divididos pelos olhos dos donos, além de identificáveis por linhas acidentadas de terra batida, com algumas cabanas nas laterais. Orgulhoso de sua safra, óculos escuros repousados no cabelo, Vitorie beira os 30 anos, mas aponta, como fazendeiro ancião, a lavoura rompida no asfalto – e suas famílias proprietárias. Mais moço, Jérôme o acompanha na conversa, numa expressão doce e arisca. O regador compõe sua silhueta.
“Se precisarem de alguém, no Brasil, para fazer uma horta igual a esta, você me chama?” – pede Vitorie, tentando arrancar um compromisso. E não há como ignorar sua lição de horta para a humanidade.

Ruas de Cotonou: o tráfego dependente da vigilância dos ancestrais, as raras placas de sinalização, o enxame de motos, mais de 760 mil viventes, as vendedoras de abacaxi, o pequeno comércio vizinho à penúria, as propagandas da visita recente do papa Bento XVI. Busca-se um Benin decifrável, da África pressentida, mas brotam os imprevistos.

A menos de um quilômetro da horta, a praia oferece seu oposto humano e ambiental. Espaço de vadiagem e contemplação, bem pouco de lazer, as areias de Cotonou abrigam seres errantes, sempre a evocar os “capitães da areia” de Jorge Amado, os quais reinavam numa outra cidade negra a que se chega dando um contorno no golfo da Guiné, para depois singrar o Atlântico Sul e embicar pela Baía de Todos os Santos, onde está encravada Salvador, a Cidade da Bahia. E tanto faz que estejamos agora em Ouidah, na praia exportadora de braços e mentes para a colonização do Brasil, numa das pontas do tráfico de escravos, porque se materializa a mesma intimidade entre mar e liberdade, entre solitários e ladinos.

As mãos do garoto Atioge Lydie acolhem as pernas arquejadas. Sentado, ele observa longamente as ondas, como quem espera um retorno. Charles surge frenético, camisa maior que seu talhe, areia salpicada no rosto, palavras engolidas, o jeito de quem não espera. Deseja uma foto, sem favor. E no sol despontam mais cinco crianças do Benin, arfando pelo futebol, e pela máquina fotográfica do Rodrigo Sombra, diante do mar metálico. “Conheço um jogador brasileiro com o cabelo para cima”, descreve um dos meninotes, no improviso de um moicano. O craque Neymar nas retinas africanas.

Era o céu de dez de janeiro, o dia da festa nacional do Vodu, religião reprimida nas décadas de marxismo-leninismo, mas celebrada desde os anos 1990 como patrimônio cultural do País. Em Ouidah, a cidade sagrada, as deidades se manifestam numa arena cercada de cadeiras de plástico, abaixo da Porta do Não-Retorno, o marco da escravidão transatlântica (de onde o professor Luiz Carlos dos Santos lançou uma saudação “black power”, de resistência).

Mais de 300 divindades, segundo se estima, são cultuadas no Benin. Algumas delas comparecem ao festival. Um Zangbéto, guardião da noite, faz rodopios. O mensageiro Lègba, tão próximo à personalidade de Exu, se incorpora nos músculos de um jovem de passadas firmes, cruz e contas no peito. (Dois dias antes, Egunguns circulavam por ruas estreitas, amarrados a cordas). Nada de sacrifícios de animais, somente fetiches no centro de rodas fechadas. O alarido impera. O rei, um dos reis, interrompe a marcha e cumprimenta o escultor Emanoel Araújo. Quase certo: decifrou seu colar azul ajustado às vestes brancas, resultando nas cores de Ogum.

Do palanque, a cantora Angelique Kidjo atribui às mulheres a força de resistência do Vodu e relê a diáspora: “A escravidão exportou nossa cultura”. O transe é também político. Na arquibancada das excelências, os embaixadores dos Estados Unidos e da França, apertados em paletós, suam em tons avermelhados, como se a consciência ocidental fosse defumada. Nos arredores, os ambulantes vendem bandeiras com retratos de Che Guevara e Bob Marley.

Outra vez, o mar. Os vadios se misturam, na praia, com os praticantes do Vodu, em sua maioria mulheres, à margem da festa oficial, manjada pelos políticos. Bebidas, oferendas, fetiches, ritos e cânticos. Ibejis nas bacias. O Benin profundo se apresenta dificilmente explicável por parolagens estrangeiras – seja a socioeconômica, limitada ao drama da pobreza, seja a antropológica ou histórica. Nem o trauma do tráfico de escravos concentra todas as chaves. As armadilhas se esparramam.

O Vodu, símbolo nacional (levado do Reino de Dahomey para Cuba, Brasil, Haiti e Estados Unidos), é declarado como religião de apenas 17% dos beninenses, ao lado de cultos animistas menos conhecidos, de acordo com estatísticas do governo. Bento XVI não esteve lá porque Deus nasceu no Benin: neste início do século 21, cerca de 43% dos habitantes se dizem cristãos e 24%, muçulmanos. Na África, um surpreendente placar favorável aos católicos.

Mas, será? Nas franjas de Cotonou, o muçulmano Abdoul desvia o trajeto do carro, no afã de mostrar a construção de sua casa. Ele é o risonho guia do grupo de brasileiros; para muitos amigos, um líder espiritual de poderes divinatórios. Em frente às obras, um nada discreto Lègba, chifrinhos à mostra, recepciona os visitantes. Afoito nas explicações, Abdoul avisa que pretende arrancar a escultura, mas o autor da obra, praticante do Vodu, exigiu-lhe nada menos que um milhão de CFA (o equivalente a 1.500 euros) para que o sacrilégio fosse cometido. Ele pretende pagar cada centavo, e se vinga com uma imprecação: “Eles também não podem com os muçulmanos!”.

Que não se leve às últimas consequências a fúria de Abdoul. Os dogmas do Islã não lhe atenuam o sincretismo, logo manifestado nas conversas de estrada, quando por longos minutos é capaz de descrever os ritos do Vodu, contar qual o melhor horário para ver um Egungun, recomendar tal feira de fetiches e, com alegria superior, repentinamente sugerir uma visita à mesquita de Porto Novo, onde o iman Abou Bakari Kasodji nos recebe no histórico templo de duas torres, com as arcadas em verde, amarelo e vermelho, sob a única de exigência de tirar os sapatos; a Ynaê, por ser mulher, o improviso de um véu.

Os exemplos não se limitam às regiões mais próximas do litoral. Diz-se que os beninenses oram para Nosso Senhor, na sala, e reverenciam os espíritos no quintal. Em Abomey, o epicentro do reino de Dahomey, uma mesquita divide a praça com um Lègba semelhante ao da casa de nosso companheiro de viagem – a poucos passos dela, pregada num poste, vê-se uma ave morta, expiada em ritual de sacrifício. Bem, vamos lá, uma cena mais saborosa para ilustrar a convivência de contrários: a funerária de Abomey também vende colchões.

Nessa cidade do rei Béhanzin, onde até o sol absorve a cor da terra, o pintor Cyprien Tokoudagba dorme o sono mais fundo, numa sala tresandando a tinta, velado pelas divindades retratadas nas telas e nas paredes do bairro. Seus olhos, congelados, não entregam o vigor com que desenhou a exuberante teogonia do Benin. As obras conferem um peso místico ao seu corpo. Da vida privada à pública, do ateliê de Cyprien aos mercados de artesanato, a religiosidade se impõe como um dos traços definidores do país, onipresente nas igrejas ilhadas da miserável Ganvié, no tempo mais esticado dos restaurantes ou nos interiores das casas “brasileiras” de Porto Novo. Isso e mais uma alegria alheia à escassez de grana.

Esse ensaio de felicidade se manifesta na casa de classe média que nos acolhe, em Cotonou, após um almoço no apimentado Pili Pili. Na hora do retorno, uma barulheira salta do muro em frente. O Rodrigo bisbilhota o quintal, Manuel Correia lhe acompanha, e em alguns minutos lá estão Emanoel, Ana Lúcia Lopes, Juliana, Ynaê, Kauê, Uyrá e Abdoul igualmente imersos na celebração da recém-nascida Maelle. O pai, Aurelle, alisa o cocuruto da menina e se confessa honrado com a invasão dos brasileiros. Que desçam cervejas para uma nova mesa. Ele tem duas mulheres: a primeira se conforma com o protagonismo da segunda, a mãe da vez. De braço em braço, Maelle termina acalentada por Ana. O Benin se transfigura porque Maelle nasceu. E se transfigura ainda para além do Atlântico em Vitorie, confiante em seu arado, oferecendo os préstimos de agricultor a quem jamais terá um horta.

Claudio Leal é jornalista.

Museu Afro Brasil
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n
Parque Ibirapuera – Portão 10
São Paulo / SP – Brasil – 04094 050
Fone: 55 11 3320 8900
www.museuafrobrasil.org.br

Terças a Domingos, até 15 de Julho de 2012, das 10h às 17h.

Local: Museu Afro Brasil - Espaço Mestre Didi

Em comemoração aos 458 anos de São Paulo, a exposição traz fotografias e objetos antigos e recentes da cidade de São Paulo.

O Museu Afro Brasil sempre comemorou, ano após ano, o aniversário da cidade de São Paulo. Da vila espartana do século XVII às suas transformações, do café à industrialização. Nesta mostra, com mais de 300 itens, apresenta-se uma iconografia das mudanças urbanas dessa cidade que se transformou, para o bem e para o mal, nessa grande e espraiada metrópole de leste a oeste, de norte a sul, em torno de seus rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí.

A cidade de São Paulo foi se transformando com sua arquitetura eclética enriquecida pelo poder da agricultura que absorveu negros africanos, imigrantes italianos, japoneses, alemães e portugueses, entre outros. Essas visíveis transformações são motivos da “bela metrópole que só o passado viu”. Isso porque seu gigantismo pouco deixou das belas casas de Higienópolis, da Avenida Paulista, dos Campos Elíseos. Todas essas casas refletiam a burguesia oriunda do café e faziam a cidade pulsar. Como exemplo disso destaca-se o Martinelli, com a sua altura, um prenúncio dos arranha-céus que estavam por vir.

A São Paulo dessa época é o símbolo de uma pré-industrialização que fez surgir uma iconografia de lata, concreto e vidro; da pujança de suas fábricas produzindo belos anúncios e muitas recordações como as deixadas nas comemorações do IV Centenário de São Paulo. Contudo, não se pode esquecer o quanto o Liceu de Artes e Ofícios foi de extraordinária importância para o surgimento de uma escultura tipicamente paulistana, produzida por artistas imigrantes italianos.

Assim, Ximenes realiza o belo monumento do Ipiranga. Amadeo Zani, com o monumento à Fundação da Cidade de São Paulo. Brecheret, aos Bandeirantes e a Duque de Caxias. Elio Di Giusto, Ferrignac, Roque de Mingo, Cipicchia, e muitos outros exemplos da bela safra de artistas em São Paulo são lembrados nesta exposição.

 

Acesso: Av. Pedro Álvares Cabral – Portões 03 e 10
Terça a Domingo, 10h00 as 17h00. Entrada Gratuita
Contato: 3320-8900 | Informações: www.museuafrobrasil.org.br
Agendamento de grupos: 3320-8921 agendamento@museuafrobrasil.com.br
Comunicação: anapaula@museuafrobrasil.org.br

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